
Aprovado em 1º lugar no concurso da Câmara de Goiânia tem vínculo com a banca organizadora — MP investiga e pode anular seleção
O candidato que ficou em 1º lugar no concurso da Câmara Municipal de Goiânia para o cargo de administrador é ligado ao Instituto Verbena, a própria banca responsável por elaborar, aplicar e corrigir as provas. A informação foi revelada nesta terça-feira (1º de abril) pela TV Anhanguera, e o caso já está nas mãos do Ministério Público de Goiás (MP-GO), que apura suspeita de acesso a informações privilegiadas. A seleção reuniu cerca de 34 mil candidatos disputando 62 vagas com salários acima de R$ 10 mil.
A investigação é conduzida pelo promotor Astúlio Gonçalves de Souza, que pode pedir a anulação completa do certame caso as irregularidades sejam confirmadas. Segundo advogada ouvida pela TV Anhanguera, o uso comprovado de informações sigilosas pode configurar fraude em processo seletivo e improbidade administrativa. Para os milhares de concurseiros que investiram meses de preparo, o desfecho dessa apuração pode redefinir tudo.
O concurso foi realizado no dia 15 de março de 2026 e, até o momento, segue válido — sem suspensão ou anulação decretada. Veja abaixo os detalhes do vínculo entre o aprovado e a banca, os indícios que sustentam a investigação e o que pode acontecer a partir de agora.
Quem é o aprovado e qual é sua ligação com o Instituto Verbena
O candidato aprovado em primeiro lugar é Luã Lírio de Souza Cruz, servidor da Universidade Federal de Goiás (UFG) que já atuou diretamente no Instituto Verbena. A banca, vinculada à UFG, foi contratada pela Câmara de Goiânia para organizar toda a seleção — da elaboração à correção das provas.
Segundo a apuração da TV Anhanguera, Luã foi cedido à Defensoria Pública da União (DPU) em janeiro de 2024, antes do início da organização do concurso. No entanto, mesmo após a cessão, ele continuou aparecendo em atividades vinculadas ao instituto.
Registros mostram que o candidato participou de eventos representando o Verbena, inclusive no dia 10 de março de 2026 — apenas cinco dias antes da aplicação da prova. Esse é um dos pontos centrais da suspeita: a proximidade entre o aprovado e a estrutura que tinha acesso ao conteúdo do exame.
Contrato milionário e outro vínculo sob apuração
O contrato firmado entre a Câmara Municipal e o Instituto Verbena para a realização do concurso foi de aproximadamente R$ 2,6 milhões. A dimensão do acordo reforça a gravidade das suspeitas, já que envolve recursos públicos em uma seleção que atraiu dezenas de milhares de inscritos.
Há ainda outro elemento que pesa na investigação. O companheiro de Luã, o guarda civil metropolitano Makes Paulo, também atua no Instituto Verbena, segundo a apuração da TV Anhanguera. Essa dupla conexão com a banca organizadora é considerada na análise do MP-GO.
Com a investigação em curso e o promotor responsável podendo solicitar a anulação da seleção a qualquer momento, o cenário permanece incerto para todos os aprovados — não apenas para o primeiro colocado.
O que dizem os órgãos envolvidos
Em nota, a Câmara Municipal de Goiânia informou que encaminhou o caso ao Ministério Público e que a Comissão Permanente de Concurso Público solicitou providências para apuração dos fatos.
O Instituto Verbena afirmou que adota protocolos rigorosos para garantir a lisura dos processos e que também investiga a situação internamente. Já a Universidade Federal de Goiás disse que vai apurar os fatos e adotar as medidas cabíveis caso irregularidades sejam confirmadas.
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Concurso | Câmara Municipal de Goiânia |
| Vagas | 62 (imediatas e cadastro reserva) |
| Salário (administrador) | R$ 10.059,32 |
| Candidatos inscritos | Cerca de 34 mil |
| Data da prova | 15 de março de 2026 |
| Banca organizadora | Instituto Verbena (UFG) |
| Valor do contrato | Aproximadamente R$ 2,6 milhões |
| Situação atual | Concurso segue válido; investigação em andamento |
O que pode acontecer com o concurso da Câmara de Goiânia
Até o momento da publicação desta reportagem, o concurso da Câmara de Goiânia não foi suspenso nem anulado. No entanto, a investigação conduzida pelo MP-GO pode alterar esse cenário dependendo das evidências coletadas.
Segundo a advogada consultada pela TV Anhanguera, a comprovação de acesso privilegiado às provas pode levar à anulação total do certame, o que obrigaria a Câmara a realizar uma nova seleção. Essa é uma possibilidade concreta enquanto o promotor Astúlio Gonçalves de Souza conduz a apuração.
Para os 34 mil candidatos que participaram da prova, acompanhar o desdobramento da investigação é essencial. A recomendação, de acordo com especialistas citados na reportagem, é ficar atento às publicações oficiais da Câmara Municipal e do Ministério Público de Goiás nos próximos dias. Qualquer decisão sobre suspensão ou anulação deve ser formalizada por esses canais.
Fonte: Informações publicadas pelo g1, com adaptação editorial







